segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

(in)significantes


Até ontem
estávamos no bar
sorrindo pra vida
rindo de um futuro
que não estaria lá.
Semana passada 
estávamos ouvindo
os ritmos mais lindos
dançando
trocando de par.
Até ontem
estávamos olhando
fotografias de alguns dias
que dos quais só restariam
pedaços de memória
pra relembrar.
Até mês passado 
éramos importantes
fazíamos instantes
prontos pra durar.
Há dois anos
estava de partida
mal sabia que da ida
nunca mais ia voltar.


Somos tudo
e ao mesmo tempo
nada.
Um nada (in)significante
cujo significado 
depende
de quanto durar.


[Memórias de um luto de Natal e reflexões de como somos fantoches da aleatoriedade cruel do destino]

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Prazer, meu nome é
ser humano.
sou mestre
em ferir
a minha própria
carne
desbridar
minhas próprias
feridas
e fazê-las
apodrecer
no pior que há.

Prazer, meu nome é
ser humano
minha missão
neste mundo
é espalhar
sofrimento
fazer doer
causar discórdia
ai de quem
reclamar

Prazer, meu nome é
ser humano
nasci do lodo
pertenço ao fogo
miséria
e destruição

Prazer, estamos num
engano
engolindo tudo
no modo mudo
e a morte
é salvação.

[vã calamidade]




sábado, 22 de agosto de 2015

você tá perdendo o cincolinhatrêslinha da sua vida. estraçalhou o joelho mas não entendeu ainda que da próxima vez não dói mais. se apaixonar de novo não é motivo pra se trancar no quarto e fingir dor de cabeça pra se esquivar do mundo. sossega o peito que esses seus segundos tão passando rápido demais. quase não tá dando pra sentir o gosto do pão. meu pão na tua carne. tua carne feito minha pele que jorra fogo mesmo com gente perto. tá ignorando o mundo. meu mundo que tá tonto de tanto que te exijo em minha vida, dominando o barco e naufragando tudo. tá agindo feito anta. acorda pra vida, amarra a corda na cintura e escala até não poder mais. sente o ar rarefeito cortando a sua pele que ainda exige a minha duma maneira até difícil de explicar. alimenta o teu fogo, engana teu ego, teu joio e todo o mais que há. se encontra no tempo. desanda o martírio. que depois não adianta chorar.

[drops de hortelã]

sábado, 23 de maio de 2015

C(a)rente

Esperando ser achado numa dessas vitrines vazias, assim, de repente. Rola na cama, finge que ama e sonha ao invés de dormir. Pensa no risco louco, no riso frouxo de sair do seu umbigo e cair nessa piada. Ah, o amor é fogo, martírio, suspiro e jogo. E mais nada.


                     [drops de hortelã]

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Apertei o [s]cinto
e caí num abismo
de felicidade.
estrada torta
tô quase morta
de saudade.

[Drops de hortelã]

sexta-feira, 24 de outubro de 2014



entre a multidão de braços
ela sabe, não estará
entre os dedos e os laços
muito menos, lá


[solitos]

quarta-feira, 16 de julho de 2014

ainda sinto
um vazio
onde costumava estar
a tua mão

ainda não
tenho motivo
pra manter comigo
o meu coração

vai saber por que
com tanta poesia
tudo termina
assim

dessas partes 
podres que sou
você foi
o pior de mim

[vã calamidade]

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Glória na trave

A gente sabe
sambar no pouco
fazer brotar água
da miragem
coisa de louco.

A gente grita
de ficar rouco
esquece a mágoa
na bagagem
a fome é pouco.

A gente sabe
estancar a lida
pra mirar o pão
que gira em "circo"
desinibida.

A gente sabe
fingir que é vida
fazer milagre
com esse pouco
ninguém duvida.

[vã calamidade]





quarta-feira, 11 de junho de 2014

Respira
que a lua segue
o teu caminho

Inspira
força que brota
meu passarinho

Acende
gota que cai
rio que despenca

Saudade
que força é essa
que arrebenta.

Desponta
na minha alma
esse teu luar

aponta
hoje, dia ou noite
o teu olhar

que a tua Lua
expira o mar

que a Lua tua
é ar

que tudo atua
no ar da Lua

Luara brilha
Lua é amar.




terça-feira, 3 de junho de 2014

O medo vem de dentro
dos templos, das decepções
do ventre, do vago, do escuro
do gato, do muro
das lamentações

O medo vem da alma
das chagas, xarope e torpor
da calma, do ócio
do estranho e do sócio
do ódio e do amor

O medo vem da vida
do beijo, da escória
do resto e do trapo

O medo vem do asco
da lida ou da glória
da morte, da ida
da vida sem par.

[vambora]