sexta-feira, 24 de outubro de 2014



entre a multidão de braços
ela sabe, não estará
entre os dedos e os laços
muito menos, lá


[solitos]

quarta-feira, 16 de julho de 2014

ainda sinto
um vazio
onde costumava estar
a tua mão

ainda não
tenho motivo
pra manter comigo
o meu coração

vai saber por que
com tanta poesia
tudo termina
assim

dessas partes 
podres que sou
você foi
o pior de mim

[vã calamidade]

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Glória na trave

A gente sabe
sambar no pouco
fazer brotar água
da miragem
coisa de louco.

A gente grita
de ficar rouco
esquece a mágoa
na bagagem
a fome é pouco.

A gente sabe
estancar a lida
pra mirar o pão
que gira em "circo"
desinibida.

A gente sabe
fingir que é vida
fazer milagre
com esse pouco
ninguém duvida.

[vã calamidade]





quarta-feira, 11 de junho de 2014

Respira
que a lua segue
o teu caminho

Inspira
força que brota
meu passarinho

Acende
gota que cai
rio que despenca

Saudade
que força é essa
que arrebenta.

Desponta
na minha alma
esse teu luar

aponta
hoje, dia ou noite
o teu olhar

que a tua Lua
expira o mar

que a Lua tua
é ar

que tudo atua
no ar da Lua

Luara brilha
Lua é amar.




terça-feira, 3 de junho de 2014

O medo vem de dentro
dos templos, das decepções
do ventre, do vago, do escuro
do gato, do muro
das lamentações

O medo vem da alma
das chagas, xarope e torpor
da calma, do ócio
do estranho e do sócio
do ódio e do amor

O medo vem da vida
do beijo, da escória
do resto e do trapo

O medo vem do asco
da lida ou da glória
da morte, da ida
da vida sem par.

[vambora]

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Desespero diário
vício de toda manhã
gole de café e mágoa
suspiro, soco, alma vã.

Riso torto, oi sem porquê
relógio, som, disritmia
o tempo corre, a vida escorre
não há nada que alumia.

Esperança numa caixa
coração, azul, nirvana
mas não cabe nem motivo
que alimente a nossa chama.

Nesse cuspe de esperança
estanca, embrulha essa ferida
que outro vício recomeça
borbulha, escorre, espanca, vida.

[vambora]


segunda-feira, 28 de abril de 2014

Estamos cheios de nódoa
 de lágrima
mágoa
e desilusão

comprando elogio
vendendo abraço no frio
plagiando canção

será que nos resta
uma brecha
de algo sincero
quem sabe? E se não?

mas me dá arrepio
saber que esse frio
é menor que o do seu coração.

[vambora]







segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Moça

Hoje acordei e vi
nesse lugar, comigo
Um Ser Que Ri
vulgo, amigo.

vivendo a sua história,
virando flor.
deixando rastro e vento
cheirando amor

que a cada nota
esbanja graça
não precisa nem de tom
ela já basta

nesse caminho tolo
que é a vida
anda comendo fé
desinibida

eu sei que a lua segue
o seu caminho
e eu aqui simplória
te lembro com carinho.

[vambora]


Para Karine Nunes.
      



sábado, 4 de janeiro de 2014

Um Rá de lira



esse mundo desabando
cada um pra cada lado
nossos lados
nossos vãos.

nosso pão de cada hora
nossa escola
nosso dar de mãos.

nosso peito, 
nossa fala
nossa mala
nosso coração.

e eu aqui sentido
de corpo moído
vendo o céu no chão.

[chão e chinelo novo]

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Segura a minha mão
vamos decorar mais juras
decompor meus versos
num sol pra nós dois.

Vem!

Desenha comigo
nosso abrigo
distraídos
num soneto de felicidade.

Deixa cair na sua pele 
o meu suor
a minha lágrima
seu pão.

Que aqui dentro 
não tem mais motivo
pra eu manter comigo
o meu coração.

[vambora]