segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Moça

Hoje acordei e vi
nesse lugar, comigo
Um Ser Que Ri
vulgo, amigo.

vivendo a sua história,
virando flor.
deixando rastro e vento
cheirando amor

que a cada nota
esbanja graça
não precisa nem de tom
ela já basta

nesse caminho tolo
que é a vida
anda comendo fé
desinibida

eu sei que a lua segue
o seu caminho
e eu aqui simplória
te lembro com carinho.

[vambora]


Para Karine Nunes.
      



sábado, 4 de janeiro de 2014

Um Rá de lira



esse mundo desabando
cada um pra cada lado
nossos lados
nossos vãos.

nosso pão de cada hora
nossa escola
nosso dar de mãos.

nosso peito, 
nossa fala
nossa mala
nosso coração.

e eu aqui sentido
de corpo moído
vendo o céu no chão.

[chão e chinelo novo]

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Segura a minha mão
vamos decorar mais juras
decompor meus versos
num sol pra nós dois.

Vem!

Desenha comigo
nosso abrigo
distraídos
num soneto de felicidade.

Deixa cair na sua pele 
o meu suor
a minha lágrima
seu pão.

Que aqui dentro 
não tem mais motivo
pra eu manter comigo
o meu coração.

[vambora]

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Pra comer (orar)


A noite
meu peito gela
a mão esfria

pois não te vi
durante o dia.

[ vã calamidade ]
Minha alma rala
sangra e sara
espatifa tudo
escarra

cansou de ser só uma
nesse mundo.
Se a quiser vem logo
mas que seja breve.

[ vã calamidade ]

A vida
tem essa coisa
de roubar sorrisos
plantar na janela
ver passar meus sonhos
apontar um medo
e dizer vem cá.

[ vã calamidade ]

terça-feira, 13 de agosto de 2013

ZAHIR


me toma e fica
machuca e traga
afaga
apaga
ameniza.

me leva embora
descora
desanda
assombra
martiriza.

bebe a loucura
tão pura
de mágoa
deságua
alucina.

mas senta e chora
cai fora
agiliza
desliza
tua boca na minha.

[ vã calamidade ]

domingo, 11 de agosto de 2013

Todos esse dós
Essa dó que todo mundo tem de mim
Do meu sorriso
Que antes colorido
Mas agora só pra ti.

Esse restinho podre de esperança
Mas tá tudo tão bemol
Que nem sei se vale a pena
ficar fazendo cena
Se você nem vai saber.

Contando as horas
Catando os cacos
       Juntando tudo       
Pra você quebrar depois.

Um dia eu canso
Amasso tudo
Me arrumo e fujo
Dessa merda de nós dois.

[ vã calamidade ]


quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Vomite Amor

Poderíamos ter ao menos ânsias mais humanas. Encher nosso estômago de algo mais bonito, não dessa estupidez mórbida, sede de poder, descaso, ódio, inveja e mágoa. Devore freneticamente LUZ. E vomite AMOR.

[Vambora]

segunda-feira, 13 de agosto de 2012


De dentro só sai o pó, mais nada. Só sai essa carniça de abandono, de desolação. Viver tentando, gastando horas preciosas decorando livros, ganhando dinheiro, trabalhando pro Estado, viajando não sei pra onde, não sei pra que. Saindo de uma lotação cheirando asco, pra outra. Atravessando avenidas loucas, tentando pegar o sinal fechado. Correndo escadas, gastando muito, comendo porcarias, esquecendo da família, dos amigos, de amar. Esquecendo de tudo, tudo, tudo... 
De dentro só sai fumaça, mais nada. Só sai esses ventinhos impregnados de motor. Só se vê por todo lado cabecinhas marchando, marchando pro nada. Aonde será que querem chegar? Fama, ócio, dinheiro, carro novo. Venderiam a alma se pudessem. Mas de onde tiraram essa bobagem? Onde foi que aprenderam que precisam de tanta merda pra serem felizes? Ah. Não sei como um papel transformou homens em trapos.

[Vambora]